quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Onde pairam os valores de outrora?

Já comentei que detesto o Pingo Doce aqui da vila, certo? Pela desorganização - o que inclui falta de preços e a falta de produtos, pelos colaboradores menos disponíveis, pelas filas intermináveis que tiram qualquer um do sério e, acima de tudo, pela gente mal educada que o frequenta. Vivemos na linha, mas na linha significa linha do comboio, nada mais.
 
Num outro dia assisti a uma discussão entre duas senhoras que tinham idade para ter juizinho. Garanto-vos que temi pela minha vida. Foi o horror, o drama, a tragédia! Isto passou-se na caixa prioritária. Uma caixa que, para mim, não passa de prioritária para a desgraça. Pelo que percebi, uma das senhoras passou à frente da outra porque ia acompanhada de uma criança num carrinho. A outra não gostou, pois deu conta de que a dita senhora vinha também com o marido que saiu da loja enquanto a mulher preparava este cenário. Amigos, aquilo foi quase um armagedom. Uma troca de palavras e acusações desaconselhadas aos mais sensíveis. Quase andaram à estalada e aos puxões de cabelo. Eu, numa outra caixa, à semelhança dos restantes clientes, mantivemos a calma e esperámos que as senhoras retomassem algum decoro. Concordo que a senhora que foi ultrapassada manifestasse o seu desagrado, mas isso não é sinónimo de sacar de toda a raiva e frustração interior. Tive pena das duas senhoras, pela triste figura, mas também tive muita pena por viver num país com tão pouca tolerância a estes pequenos episódios, pois seriamos muito felizes se no mundo o único gesto mal pensado fosse o de nos passarem à frente na fila do supermercado.
 
O meu conselho é muito simples: fugir destas caixas como o diabo foge da cruz.
 
E pronto, viveram para felizes para sempre!

quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Criar inimizades

é coisa que me arrepia. Quando não gosto de uma pessoa, limito-me a criar uma barreira, não a bano do meu espaço. Apenas lhe sugiro discretamente, quase sem palavras, para não se atrever a intrometer-se no meu espaço íntimo. Aprendi num curso de Relações Humanas que tirei há algum tempo, que o nosso espaço intímo equivale ao nosso braço estendido num ângulo de 360º. Achei aquilo curioso. Mais curioso ainda quando percebi que se havia coisa que eu odiava era que as pessoas me abrassassem do nada. Tipo: Toma lá um abraço porque me apetece. Por norma, nestas situações, fico numa posição demasiado incómoda e, se pudesse ver-me desde cima, estaria de rabo espetado no sentido oposto. Lá está, do tipo: "Já me largavas, não?".
 
Não crio inimizades, não sou agressiva com as pessoas, pura e simplesmente poderão interessar-me mais ou menos. Isto para comentar que, pela primeira vez na vida, pois existe sempre uma primeira vez na vida, estou possessa com uma professora da faculdade.
 
Eu não sou licenciada. Admito que por vezes tenho dificuldade em expressar-me corretamente. Não falo fluentemente usando palavras caras e expressando-me como se estivesse a barrar um pão com manteiga que desliza facilmente. Sempre fui de trabalhos práticos, de equações. Por isso, custa-me um bocado quando tropeço numa pessoa que primeiro pede para eu não falar muito, pois fica sem fôlego a ler os meus trabalhos; depois, quando respondo preto no branco, responde que eu devia ter aprofundado mais outros temas igualmente inerentes à mesma questão. WTF? Se respondo que o João foi comprar flores para oferecer à Joana porque era o seu aniversário e ela ficaria muito feliz com esse gesto, é demasiada informação; se digo que o João foi comprar flores, é pouca informação.
 
Depois de receber a última observação pensei que a senhora que corrigiu o meu teste além de ser demasiado vaga, esquece-se que eu estou ali para aprender e não para mostrar que sou licenciada (ou não o sendo, pois existe muita muita muita gente que sabe expressar-se, que tem imensa cultura geral e não tem formação superior), pois afinal estou a trabalhar para ser melhor. Mas, esta senhora acha que eu já devia ter nascido ensinada. Gaja, eu sou das barracas, 'tás a ver a cena? Consegui crescer um bocadinho graças ao incentivo dos meus pais e, se um dia tiver um filho, espero dar-lhe o mesmo incentivo para que ele tenha ainda mais sucesso do que eu. É assim a evolução das gerações. A tendência é irmos melhorando a cada uma que passa, se bem que existem pessoas que contribuem para a destruição do que os antepassados construiram.
 
Se vou desanimar? Não. Estou a preparar-me para fazer o melhor teste da minha vida. Comigo é assim, quando me irritam, não me vou abaixo, isso é só um empurrão para fazer ainda melhor.

quarta-feira, 18 de Junho de 2014

No meio de tanto stress...

As últimas semanas foram por demais cansativas. Os últimos testes na faculdade obrigaram a descuidar o blogue. Também o facto de estar sem a máquina contribui para isso. Preparei uns folhados de alho francês e cenoura que tenho de partilhar. Uma delícia!
 
Mas, voltemos ao stress das últimas semanas. Finalmente descobri a causa da minha falta de energia. Uma falta de energia que por vezes mais parece que me aspiraram. Não é muito bonita a metáfora, mas é o que sinto. Tensão baixa! Eu tenho a tensão baixa.
 
Da primeira vez que medi a tensão no centro de saúde, um dia em que fui em jejum por causa dos exames, a enfermeira comentou esse facto mas deduziu que poderia ser por estar em jejum. Perguntou se eu tinha tonturas. Não tenho. Perguntou se me sentia bem. Sim, normal.
 
Segunda visita à médica. Novamente tensão baixa. Novamente as mesmas perguntas. Eis que a médica comenta que eu tenho de consumir mais sal. E pronto. Descubro que a minha falta de energia resulta da minha mania de quase não consumir sal. Posto isto, comecei a aumentar ligeiramente o consumo. Nada de exageros, pois sabemos bem que o excesso não é saudável.
 
O que mais estranho é o facto de me sentir perfeitamente, à parte, claro está, de sentir um esgotamento físico que me irrita. Um querer mexer mas não ter vontadinha nenhuma.
 
E, no meio de tanto stress, recuperei o contacto com uma prima com quem não falava há duas décadas. Uma prima que é mais parecida comigo que as minhas próprias irmãs. Sinceramente estou espantada com a minha reaproximação à família. Juro que sempre fui um bocado desligada e sempre dei mais importância aos amigos. Mas a família também pode ser amiga, não é verdade? Mesmo assim, nada como agir com precaução, pois nunca se sabe.
 
E pronto, agora estou em modo de exames, mas prometo que assim que termine (são mais 4 semanas) o blogue terá montes (ou montanhas!) de novidades.
 
Ah, e relativamente à Samira, deu para ver que a menina não venceu, mas foi uma vencedora. Adorei a evolução dos seus pratos. Foi uma inspiração para mim!
 
Até breve!
 

terça-feira, 27 de Maio de 2014

Eu e o Masterchef Australia, o Masterchef Australia e eu

Um programa que adoro! De momento, o único que vejo além das notícias. Pronto, confesso, além das notícias e das Kardashian!
 
Ontem, terminada uma série de tarefas, isto perto da meia noite, foi refastelar-me no sofá (tipo Simpson) para ver mais um episódio do Masterchef. Eu e o marido estávamos a torcer pelo Kelty e pela Samira, dois concorrentes que, a nosso ver, tiveram uma evolução brilhante! Acontece que o Kelty apresentou um prato de porco com melaço, que além da apresentação menos interessante parece que o sabor deixou a desejar, pois foi o último prato que preparou na cozinha mais famosa do mundo.
 
Não concordei que tivessem mantido a menina que deixou os bolinhos mal cozidos, mas pronto, eles é que são os peritos.
 
Resta torcer pela Samira! Go Samira! Mas o Richi parece um forte candidato ao título. Tenho resistido todos os dias para não espreitar qual foi o vencedor. Ainda que custe, pois sou demasiado curiosa, vou aguentar até ao último episódio!
 
E vocês, gostam do programa? Estão a torcer por quem?

segunda-feira, 26 de Maio de 2014

A crise em Portugal

Estará na gaveta? Se sim, concordo plenamente. Eu também gosto de a esconder na gaveta! No meio de tanta pessoa ali listada, a folha onde constava o meu nome de eleitora tinha uns 3 ou 4 vistos, e fui mesmo na reta final, quase no momento do toque de saída!
 
Hum... para onde foram todos? Claro que os 66% de abstenção não foram todos para o Rock In Rio. Nem imigraram. O que seria perfeitamente plausível (= aceitável, admissível, razoável - para que não me acusem de usar palavras bonitas fora de contexto!).  Disse o Sr. Marinho que a abstenção é a melhor maneira de os Portugueses provarem que não concordam com a política (mais coisa menos coisa). Bem, o sr. até pode ter alguma razão mas, muito sinceramente, sou dos que pensam que os Portugueses se estão mesmo a marimbar para a política. Depois, não se queixem se os senhores políticos se lembrarem de inventar novas medidas, daquelas bonitinhas que eles costumam sacar da cartola nos momentos que entendem mais apropriados e em que supostamente ninguém desconfia.
 
A conclusão que eu tiro disto, apesar de não ter escutado os comentários dos partidos da coligação, é que eles, ainda que tenham ficado muito aquém do desejado, continuarão montados no poleiro a fazer das suas, e o seu maior adversário, como é bom de ver, tão pouco conseguiu uma maioria muito expressiva. O que acho? O que acho de verdade? É que vamos ter de suportar o PSD durante mais uns aninhos. Espero e desejo estar enganada. Mas depois penso: "E se o PS conseguir ganhar as próximas eleições? O que fará? Terá acesso a fundos que lhes permitam honrar as muitas promessas expressas em momentos eleitorais?"
 
E pronto, aqui fica um raro (e fraquinho, admito) momento de politiquice. Como estou a tirar a licenciatura, estou curiosa por me listar num partido. Será que terei um tachinho daqueles (muito) bem remunerados? A fingir que serei uma espécie de assessora da assessora da assessora da assessora? Estão a ver? Não? Eu também não me vejo nestes filmes!

quinta-feira, 22 de Maio de 2014

As coisas que vou aprendendo...

Porque a necessidade a isso obriga, ou porque vejo noutros blogues e acho interessante. Já havia comentado com o S. a importância de termos uma reserva de enlatados. É verdade que, em princípio, o mundo não vai acabar amanhã. Nunca se sabe, mas ainda que se apregoe um fim iminente, acho que não nos vai calhar na rifa já já já a seguir. Por isso, decidimos que por cada ida ao hiper do costume traíriamos uns quantos enlatados. Nada de exageros. Não, não decidimos construir um mini-mercado de enlatados, muito menos um bunker. Por exemplo, quando a ideia surgiu e aproveitando alguns descontos imediatos, comprei salsichas e atum. Enlatados básicos e que entendi serem um bom princípio. Entretanto, não chegou o fim do mundo, mas chegou um pequeno caos financeiro que resultou da viagem a Londres, do internamento do Zeca e da compra dos livros para a faculdade. Claro que usámos a reserva de enlatados. Vai daí que demos ainda mais importância a ter um bom stock destas coisas e decidimos esforçar-nos para que este hábito seja ligeiramente mais regular e mais completo. Ou seja, já avançámos do nível do atum e salsichas para o do grão e feijão enlatado. O seco continuará a estar presente na despensa mas, se vier o fim do mundo, prefiro usar o gás da garrafa para tomar banho (se bem que, se ficar sem eletricidade o esquentador não funciona, mas sempre posso aquecer a água no fogão que não está ligado à eletricidade!)
 
Outra das medidas que achámos importante implementar foi a de ter algumas refeições fáceis de preparar disponíveis para o caso de recebermos visitas inesperadas. É que aqui é tudo a pensar em 2 e não em 2 elevado a não sei quantos. Por isso, lembrei-me de começar a ter algumas refeições tipo "truque na manga". Por exemplo, frango de cerveja. Quem é que não adora um franguinho de cerveja? Eu não conheço ninguém. Por isso, esta foi a primeira opção por que me decidi. Tendo um ou dois frangos congelados, reservando uma ou duas garrafas de cerveja e as respetivas sopas de cebola (comprei uma de rabo de boi, por sugestão da mãe que diz que é uma maravilha), se aparecer alguém para jantar (o tal do emplastro) é só descongelar o frango no micro et voilá! fez-se uma refeição jeitosa.
 
Pronto, são estas as últimas novidades aqui da minha cozinha, além do habitual congelamento de sopas e pratos principais já falados no passado.
 
E vocês? Que outras sugestões têm para fazer face ao final do mundo ou aos convidados tipo Café Delta Q?
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 20 de Maio de 2014

A rotina e o bolo da tia Laura

Concluo que efectivamente não sei dizer "Não". Olho para a minha lista de tarefas e percebo que alguns dos seus itens resultam de pedidos de terceiros. Ainda ontem perguntava ao marido se, no momento de apresentar-me a exame para uma das disciplinas deste semestre, apareceriam as pessoas que estão sempre a ligar-me a pedir favores.
 
Por exemplo, na passada sexta feira organizei um jantar aqui em casa. Tinha tudo mais ou menos organizado, e sabia muito bem que o tempo que eu tinha disponível era suficiente para garantir que tudo estaria perfeito. Eis que a vizinha de baixo vê-me na janela a estender roupa e lembra-se de comentar comigo acontecimentos da sua vida. E ali estamos nós, mais de meia hora a falar. E assim, passamos do "Bom dia/boa tarde" para a partilha de temas de índole privada. Apesar de apertadinha de tempo, eu escutei-a pois percebi que era isso que a vizinha queria. Mas não dava jeitinho nenhum...
 
Depois disto, ligam-me a pedir para ir buscar os sobrinhos à escola. Ok, os imprevistos acontecem. Não tem problema. Ou melhor, até tem, mas não é propriamente o fim do mundo.
 
O pior é que ainda tenho de ir ao hiper buscar o que me faz falta e, aproveitando que tenho o talão de 10% de desconto, repor uma série de coisinhas.
 
Juro que não me lembro de alguma vez ter feito as compras tão depressa! Era suposto fazer um bolo, mas pensei: "Rita, sê prática mulher! Limita-te ao bolo da tia Laura." E pronto, fui buscar um pão-de-ló de compra, um pacote de natas, uma lata de ananás e uma tablete de chocolate.
 
Parecia uma louca no hiper, na caixa do hiper, na corrida da caixa para o carro, do carro para a escola, da escola para casa (rua da frente, LOL) e do carro para casa. Ao pousar os últimos sacos pensei: "Consegui! Boa, só falta fazer o filho!".
 
Depois, foi "aturar" os meus sobrinhos. O mai novo anda na fase das maldades. Fecha-se, e fecha os outros, em tudo o que é divisão. Já a sobrinha, anda teimosa teimosa teimosa teimosa. Nêm imaginam o treco que me ia dando por gerir todo este stress. Foi engolir copos e copos de água para reduzir os níveis de ansiedade!
 
Fiz o bolo. É muito simples:
1 - Forrar uma forma com película aderente e reservar.
2 - Montar as natas e adicionar um pouco do sumo do anánas de conserva e o anánas cortado a gosto.
3 - Cortar o pão-de-ló em fatias e dispor no fundo da forma, fazendo uma primeira camada.
4 - Regar o bolo com um pouco do sumo do ananás e deitar parte do preparado das natas. Repetir uma camada de fatias de bolo e assim sucessivamente até a última camada ser de bolo.
5 - Reserve o bolo no frigorífico até ao momento de servir.
6- Ao servir prepare o molho de chocolate e delicie-se.
 
Espero que a vossa rotina seja bem menos stressante!