quarta-feira, 7 de março de 2012

Eficiência dos serviços públicos

Venho contar uma história, que não começa por "Era uma vez".

Antes de ir de férias, a 09 de Fevereiro último, quis entregar a declaração periódica do IVA. Tinha a certeza absoluta de que estava a escrever bem a senha, já que, ao alterar escrevi para consulta futura. Na eventualidade de o caps lock estar ligado e, eu não me ter apercebido, lá escrevi em maiúsculas, conclusão, acesso bloqueado. Ligo para o call center e informo que tenho o acesso bloqueado, mas como vou estar fora de Lisboa, precisava saber se podia entregar noutra repartição. A menina disse que sim, e eu desliguei descansadinha da vida.

Primeiro dia de férias, prioridade: entregar a declaração. Lá fui, cheia de vontade de resolver, já que havia acabado de pagar uma multa, e não estava na disposição de pagar outra. Chego e explico o motivo da minha deslocação, ao que esclarece a funcionária que a entrega tem de ser obrigatoriamente entregue através do site. Eu perguntei se era possível resolver de outra maneira, respondeu que não. Fiquei estupefacta por o meu querido Governo, não proporcionar alternativa, quase obrigando o contribuinte ao pagamento da famosíssima multa, seguida de coimas que nos deixam com os olhinhos em bico. Saí de lá furiosa, com vontade de espancar o sr. primeiro ministro e a trupe toda. Até que, a senhora funcionária, vem a correr atrás de mim, a dizer que, afinal, podia entregar-me uma senha de acesso que tem 5 dias de validade. Para mim, até podia ter apenas uma hora de validade, pois pretendia entregar e ponto final. Lá volto à repartição, mais descansada e crente de que ia resolver. Como às vezes parece que o universo se une para nos tramar, não é que ninguém tinha perfil para activar a p* da senha? E eu ali, à espera. Como estava de férias, e esforço-me por ser a favor da paz e amor, e porque o chefe estava preocupado com a hora do almoço, respondi que não havia problema, voltaria da parte da tarde. Voltei, e continuavam sem poder activar. Tudo bem, não tem problema, tenho até ao dia 15 (quarta) para resolver. Peace and Love! E lá fui para casa.

No dia seguinte, terça, volto às finanças, logo pela manhã! Os administrativos, já me olhavam de lado, naquela: "Lá vem a chata de novo... Esperemos que a senha funcione para ver se nos larga a breguilha." Continuava a não funcionar. Com a paciência a roçar a barreira do limite, perguntei se propunham alternativa, eis a resposta de uma "gorda" (de esclarecer que não era gorda fisicamente, mas sim psicologimente, pois não tenho nada contra as pessoas com peso acima do desejado) que nem se dignou a levantar o c* da cadeira: "Ela que procure noutra repartição". Respondi, educadamente, e sem levantar o tom de voz: "NÃO ESTOU PARA PROCURAR EM TODO O TERRITÓRIO CONTINENTAL, UMA REPARTIÇÃO QUE TENHA CAPACIDADE PARA ACTIVAR A SENHA. VOLTO AMANHÃ." (Neste momento estou a teclar com tanta força, que acho que a vizinha está a ouvir...) E assim fiz, no dia seguinte, último para entrega, volto e, uma vez mais, continuam sem activar aquela porr*. Muito bem, quero o livro de reclamação. Ao escrever, esclareci que havia bloqueado o acesso, que a funcionária havia proposto outro senha, mas que durante 3 dias não conseguiram activar por dificuldades de perfil, e que, pretendia que com a minha reclamação, nenhum outro cidadão tivesse de passar pelo mesmo. (Nada agressivo, mas na minha opinião bastante assertivo) Sabem quem é que levantou o c* da cadeira? A gorda! Chega perto de mim e pede o meu número de telemóvel e o nome, pois assim que for possível activar, entra em contacto comigo. Respondi que não via o porquê, pois ia dar uma volta até Coimbra e, pelo caminho procuraria uma repartição. Aqui mordi a língua, pois a minha vontade foi responder: "Sua p* vou fazer aquilo que me sugeriste à 2 dias atrás, quando nem sequer te dignaste a levantar da cadeira e nem sequer olhaste para a minha cara". Lá está, Peace and Love.

E se eu não tivesse carro? O que aconteceria? É que as repartições de finanças não são bem como um café ou uma padaria, em que damos um pontapé numa pedra e aparece um logo na esquina.

Amoçámos e depois, decididos a resolver a minha situação, quem é que me liga, estava eu a poucos metros da repartição de Condeixa? A gorda! "Ah, e tal, é só para avisar que já podemos activar, por isso, pode ir a uma repartição!" AFINAL ERA UM MAL GERAL... Ora mesta! E a senhora a sugerir que eu fizesse quilómetros! Vá-se entender.

Adivinhem o que acabo de receber! A resposta à minha reclamação! Que foi arquivada, pois entendem que não existiu mau atendimento, e que os assistentes da repartição tudo fizeram para me ajudar. Eacrescentam que, se eu pretender, posso avançar com a reclamação para um departamente (onde devem estar os amiguinhos) com um nome extremamente interessante: "Missão para a Qualidade no Serviço ao Contribuinte!" Bonito, né verdade! Encho-me de orgulho de termos tal departamento! Ainda bem que nem todos os cêntimos são para pagar as almoçaradas e os carros caros e os relógios que oferecem uns aos outros cujo valor ultrapassa largamente todo o recheio da minha casa. E se fossem todos dar uma volta? Não mando a minha reclamação para lado nenhum e recuso-me a gastar um cêntimo que seja. O meu objectivo ao reclamar era o de exigir que os serviços informáticos e tudo o demais, funcionasse eficientemente. Afinal, para que é que vos suportamos?

E pronto, desabafei.

3 comentários:

  1. Podemos desabafar, podemos revoltarmo-nos... mas nada disto mudará ou não estejamos nós em Portugal.
    Beijinhos

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  2. Sem vou comentar porque isto é o pai nosso de cada dia :(

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